A força feminina no mercado de trabalho

Elas estão chegando para ficar! A mulher vem se incorporando cada vez mais ao mercado de trabalho. Confira abaixo a entrevista realizada com nossa coach Mariana Stachiu e entenda mais sobre a força feminina no mundo do trabalho.
 
- Além das conquistas das mulheres ao longo da história, quais os principais motivos que as levam entrar no mercado de trabalho?
 
Mariana Stachiu: Os principais motivadores são:
Senso de contribuição, contribuindo para a sociedade como um todo, através da sua força de trabalho;
Independência financeira;
Utilizar o conhecimento aprendido nos anos de estudos;
Auxílio em casa - podendo contribuir para uma melhor saúde financeira familiar;
Construir uma Carreira profissional, que gere autorrealização.
 
 
 - Porque o número de mulheres no mercado de trabalho ainda é pequeno?

Mariana Stachiu: O número de mulheres no mercado de trabalho vem crescendo e tende a crescer mais ainda. O número ainda é pequeno pois somos frutos de uma sociedade onde acreditava-se que nossas avós e bisavós deveriam cuidar apenas da casa e dos filhos. Desta forma, a nova crença de que a mulher pode cuidar da casa, dos filhos e da carreira profissional ainda é recente. Muitas mulheres preferem abdicar-se da Carreira Profissional pois acreditam que não conseguiriam equilibrar vida pessoal e profissional.
 
 
 - Porque existe uma variação salarial da mesma profissão para o sexo masculino e feminino?
Mariana Stachiu: Acredito que é porque vivemos em uma sociedade onde a força de trabalho era recentemente composta e valorizada em sua maioria por homens. Hoje isso vem mudando, timidamente, mas ainda estamos longe da equiparação salarial entre gêneros. Por exemplo, segundo pesquisas, no Brasil, as mulheres executivas ganharam no ano passado 27,1% a menos que os homens que ocupam o mesmo cargo, contra 26,3% em 2011, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Observa-se que cresce a participação de mulheres nos quadros de funcionários das mais importantes empresas do país. Muito devagar, ainda. Com resultados momentaneamente menos favoráveis, até, e uma inaceitável desigualdade. Mas cresce, seguindo tendência, já considerada estrutural.
 
 
 - Quais os cargos mais comuns entre as mulheres?
Mariana Stachiu: Os cargos mais comuns entre as mulheres são os serviços que envolvam competências naturais da mulher, como habilidades verbais, habilidades manuais de precisão e habilidade no trato com pessoas.
 
 - Quais os cargos de "alto escalão" que as mulheres vêm alcançando?
Mariana Stachiu: O alto escalão que as mulheres vêm alcançando envolve cargos de Supervisão, Coordenação e Cargos Executivos. A maior parte das mulheres que ocupam o alto escalão’ nas empresas encontram-se em cargos de Supervisão.
 
 - Porque o número de mulheres que ocupam cargo executivo ainda é menor? Existe uma característica para esse tipo de cargo ou ainda existe um receio por parte dos colegas homens?
Mariana Stachiu: Atualmente as mulheres ganharam a chance de construir a sua própria carreira, mas na luta contra os homens pelo cargo de chefe elas são muitas vezes obrigadas a trabalhar de uma forma duas vezes mais ativa.

Outra razão é que ainda encontramos discriminação por parte de muitos homens e inclusive mulheres perante à chefia feminina.

Na disputa com os homens pelo cargo de chefe, as mulheres ainda têm mais um ponto fraco que torna a sua missão mais difícil. Quase sempre elas se deparam com a seguinte escolha: a família ou a carreira. O nascimento e a educação dos filhos exigem tempo e esforço, e a maioria das mulheres, ainda hoje, escolhe a família.
  
 - A sociedade está preparada para aceitar essa evolução das mulheres ou ainda existe preconceito?

Mariana Stachiu: Observa-se ainda em muitas empresas que mulheres em cargos de Liderança possuem preconceitos por parte de homens e das próprias mulheres.

É preciso melhorar essa condição, que não depende apenas da adoção de políticas públicas eficazes. As empresas têm um papel importante a desempenhar e já começam a assumi-lo, porém, timidamente. Uma expressiva maioria não tem medidas para incentivar a participação de mulheres em seus quadros. Quando tem, são ações pontuais, e não políticas com metas e ações planejadas.
 
- A vice-presidente do Facebook, Sheryl Sandberg comenta em seu livro  " Faça Acontecer" que falta ambição para as mulheres alcançar bons cargos nas empresas, como por exemplo presidência. Isso procede?

Mariana Stachiu: Em alguns casos sim. A educação dada às meninas da geração Baby Boomers e Geração X e também a crença que envolvia a sociedade nestas gerações era de que as mulheres precisariam ser excelentes esposas e donas de casa. E elas sempre fizeram isso muito bem! A falta de ambição muitas vezes está atrelada à crenças sobre o papel da mulher, produzidas pela nossa sociedade e por ela mesma.
 
- Além disso, existe alguma característica que impede ou é preciso para a mulher conquistar bons postos nas empresas?
Mariana Stachiu: Para galgar bons postos de trabalho nas empresas é necessário comprometimento, dedicação e foco. Abdicar de algumas questões fazem parte do processo e talvez para muitas mulheres valores como família, filhos, amigos e o lazer falam mais alto do que o Sucesso Profissional.
 
- Quais as características das mulheres são bem vistas para esses cargos?

Mariana Stachiu: Postura profissional, ética, disciplina, bom relacionamento interpessoal, foco e liderança fazem a diferença.
 
- Apesar das mulheres virem cada vez mais estudando e  se profissionalizando,  porque ainda elas recebem salários menores que os homens?
Mariana Stachiu: Infelizmente esta é uma realidade mundial que deve ser revista pelas empresas. Em pesquisas comportamentais sobre produtividade por exemplo,  não encontram-se razões para isso. Não existe qualquer diferença consistente entre homens e mulheres quanto às habilidades de resolução de problemas, capacidade de análise, espírito competitivo, motivação, sociabilidade ou capacidade de aprendizagem. Não existem diferenças dignas de nota entre homens e mulheres no que se refere à produtividade no trabalho.